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		<title><![CDATA[Sonett-Forum - Gonçalves Crespo]]></title>
		<link>https://sonett-archiv.com/forum/</link>
		<description><![CDATA[Sonett-Forum - https://sonett-archiv.com/forum]]></description>
		<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 14:50:38 +0000</pubDate>
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		<item>
			<title><![CDATA[Quando canta a Maldonado]]></title>
			<link>https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18816</link>
			<pubDate>Thu, 13 May 2010 09:36:32 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-archiv.com/forum/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18816</guid>
			<description><![CDATA[Quando canta a Maldonado<br />
E os quadris saracoteia,<br />
Não é mulher, é sereia,<br />
Não é mulher, é o pecado.<br />
<br />
Ao vê-la, pois, enleado<br />
Perco o siso, o verbo, a ideia,<br />
E um desejo audaz se enleia<br />
Neste peito meu bronzeado.<br />
<br />
Chamei-te sereia! engano!<br />
Nunca tolice maior<br />
Borbotou do lábio humano.<br />
<br />
Que toda a sereia, flor,<br />
Finda em peixe... e ou eu me engano,<br />
Ou tu acabas... melhor.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Quando canta a Maldonado<br />
E os quadris saracoteia,<br />
Não é mulher, é sereia,<br />
Não é mulher, é o pecado.<br />
<br />
Ao vê-la, pois, enleado<br />
Perco o siso, o verbo, a ideia,<br />
E um desejo audaz se enleia<br />
Neste peito meu bronzeado.<br />
<br />
Chamei-te sereia! engano!<br />
Nunca tolice maior<br />
Borbotou do lábio humano.<br />
<br />
Que toda a sereia, flor,<br />
Finda em peixe... e ou eu me engano,<br />
Ou tu acabas... melhor.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Mater Dolorosa]]></title>
			<link>https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18815</link>
			<pubDate>Thu, 13 May 2010 09:35:45 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-archiv.com/forum/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18815</guid>
			<description><![CDATA[Mater Dolorosa<br />
<br />
Quando se fez ao largo a nave escura,<br />
na praia essa mulher ficou chorando,<br />
no doloroso aspecto figurando<br />
a lacrimosa estátua da amargura.<br />
<br />
Dos céus a curva era tranquila e pura;<br />
Das gementes alcíones o bando<br />
Via-se ao longe, em círculos, voando<br />
Dos mares sobre a cérula planura.<br />
<br />
Nas ondas se atufara o Sol radioso,<br />
E Lua sucedera, astro mavioso,<br />
De alvor banhando os alcantis das fragas...<br />
<br />
E aquela pobre mãe, não dando conta<br />
Que o sol morrera, e que o luar desponta,<br />
A vista embebe na amplidão das vagas...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Mater Dolorosa<br />
<br />
Quando se fez ao largo a nave escura,<br />
na praia essa mulher ficou chorando,<br />
no doloroso aspecto figurando<br />
a lacrimosa estátua da amargura.<br />
<br />
Dos céus a curva era tranquila e pura;<br />
Das gementes alcíones o bando<br />
Via-se ao longe, em círculos, voando<br />
Dos mares sobre a cérula planura.<br />
<br />
Nas ondas se atufara o Sol radioso,<br />
E Lua sucedera, astro mavioso,<br />
De alvor banhando os alcantis das fragas...<br />
<br />
E aquela pobre mãe, não dando conta<br />
Que o sol morrera, e que o luar desponta,<br />
A vista embebe na amplidão das vagas...]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Esta Palavra Saudade]]></title>
			<link>https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18814</link>
			<pubDate>Thu, 13 May 2010 09:35:18 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-archiv.com/forum/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18814</guid>
			<description><![CDATA[Esta Palavra Saudade<br />
<br />
Junto de um catre vil, grosseiro e feio,<br />
por uma noite de luar saudoso,<br />
Camões, pendida a fronte sobre o seio,<br />
cisma, embebido num pesar lutuoso...<br />
<br />
Eis que na rua um cântico amoroso<br />
subitâneo se ouviu da noite em meio:<br />
Já se abrem as adufas com receio...<br />
Noites de amores! Que trovar mimoso!<br />
<br />
Camões acorda e à gelosia assoma;<br />
e aquele canto, como um antigo aroma,<br />
ressuscita-lhe os risos do passado.<br />
<br />
Viu-se moço e feliz, e ah! nesse instante,<br />
no azul viu perpassar, claro e distante,<br />
de Natércia gentil o vulto amado...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Esta Palavra Saudade<br />
<br />
Junto de um catre vil, grosseiro e feio,<br />
por uma noite de luar saudoso,<br />
Camões, pendida a fronte sobre o seio,<br />
cisma, embebido num pesar lutuoso...<br />
<br />
Eis que na rua um cântico amoroso<br />
subitâneo se ouviu da noite em meio:<br />
Já se abrem as adufas com receio...<br />
Noites de amores! Que trovar mimoso!<br />
<br />
Camões acorda e à gelosia assoma;<br />
e aquele canto, como um antigo aroma,<br />
ressuscita-lhe os risos do passado.<br />
<br />
Viu-se moço e feliz, e ah! nesse instante,<br />
no azul viu perpassar, claro e distante,<br />
de Natércia gentil o vulto amado...]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[O Relógio]]></title>
			<link>https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18813</link>
			<pubDate>Thu, 13 May 2010 09:34:32 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-archiv.com/forum/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18813</guid>
			<description><![CDATA[O Relógio <br />
<br />
Ebúrneo é o mostrador: as horas são de prata<br />
Lê-se a firma Breguet por baixo do gracioso<br />
Rendilhado ponteiro; a tampa é enorme e chata:<br />
Nela o esmalte produz um quadro delicioso.<br />
<br />
Repara: eis um salão: casquilho malicioso<br />
Das festas cortesãs o mimo, a flor, a nata,<br />
Junto a um cravo sonoro a alegre voz desata.<br />
Uma fidalga o escuta ébria de amor e gozo.<br />
<br />
Rasga-se ampla a janela; ao longe o olhar descobre<br />
O correto jardim e o parque extenso e nobre.<br />
As nuvens no alto céu flutuam como espumas.<br />
<br />
Da paisagem no fundo, em lago transparente,<br />
Onde se espelha o azul e o laranjal frondente,<br />
Um cisne à luz do sol estende as níveas plumas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[O Relógio <br />
<br />
Ebúrneo é o mostrador: as horas são de prata<br />
Lê-se a firma Breguet por baixo do gracioso<br />
Rendilhado ponteiro; a tampa é enorme e chata:<br />
Nela o esmalte produz um quadro delicioso.<br />
<br />
Repara: eis um salão: casquilho malicioso<br />
Das festas cortesãs o mimo, a flor, a nata,<br />
Junto a um cravo sonoro a alegre voz desata.<br />
Uma fidalga o escuta ébria de amor e gozo.<br />
<br />
Rasga-se ampla a janela; ao longe o olhar descobre<br />
O correto jardim e o parque extenso e nobre.<br />
As nuvens no alto céu flutuam como espumas.<br />
<br />
Da paisagem no fundo, em lago transparente,<br />
Onde se espelha o azul e o laranjal frondente,<br />
Um cisne à luz do sol estende as níveas plumas.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[O Camarim]]></title>
			<link>https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18812</link>
			<pubDate>Thu, 13 May 2010 09:34:10 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-archiv.com/forum/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18812</guid>
			<description><![CDATA[O Camarim <br />
<br />
A luz do sol afaga docemente<br />
As bordadas cortinas de escumilha;<br />
Penetrantes aromas de baunilha<br />
Ondulam pelo tépido ambiente.<br />
<br />
Sobre a estante do piano reluzente<br />
Repousa a Norma, e ao lado uma quadrilha;<br />
E do leito francês nas colchas brilha<br />
De um cão de raça o olhar inteligente.<br />
<br />
Ao pé das longas vestes, descuidadas<br />
Dormem nos arabescos do tapete<br />
Duas leves botinas delicadas.<br />
<br />
Sobre a mesa emurchece um ramalhete,<br />
E entre um leque e umas luvas perfumadas<br />
Cintila um caprichoso bracelete.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[O Camarim <br />
<br />
A luz do sol afaga docemente<br />
As bordadas cortinas de escumilha;<br />
Penetrantes aromas de baunilha<br />
Ondulam pelo tépido ambiente.<br />
<br />
Sobre a estante do piano reluzente<br />
Repousa a Norma, e ao lado uma quadrilha;<br />
E do leito francês nas colchas brilha<br />
De um cão de raça o olhar inteligente.<br />
<br />
Ao pé das longas vestes, descuidadas<br />
Dormem nos arabescos do tapete<br />
Duas leves botinas delicadas.<br />
<br />
Sobre a mesa emurchece um ramalhete,<br />
E entre um leque e umas luvas perfumadas<br />
Cintila um caprichoso bracelete.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Na Roça]]></title>
			<link>https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18811</link>
			<pubDate>Thu, 13 May 2010 09:33:44 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-archiv.com/forum/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18811</guid>
			<description><![CDATA[Na Roça <br />
<br />
Cercada de mestiças, no terreiro,<br />
Cisma a Senhora Moça; vem descendo<br />
A noite, e pouco e pouco escurecendo<br />
O vale umbroso e o monte sobranceiro.<br />
<br />
Brilham insetos no capim rasteiro,<br />
Vêm das matas os negros recolhendo;<br />
Na longa estrada ecoa esmorecendo<br />
O monótono canto de um tropeiro.<br />
<br />
Atrás das grandes, pardas borboletas,<br />
Crianças nuas lá se vão inquietas<br />
Na varanda correndo ladrilhada.<br />
<br />
Desponta a lua; o sabiá gorjeia;<br />
Enquanto às portas do curral ondeia<br />
A mugidora fila da boiada...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Na Roça <br />
<br />
Cercada de mestiças, no terreiro,<br />
Cisma a Senhora Moça; vem descendo<br />
A noite, e pouco e pouco escurecendo<br />
O vale umbroso e o monte sobranceiro.<br />
<br />
Brilham insetos no capim rasteiro,<br />
Vêm das matas os negros recolhendo;<br />
Na longa estrada ecoa esmorecendo<br />
O monótono canto de um tropeiro.<br />
<br />
Atrás das grandes, pardas borboletas,<br />
Crianças nuas lá se vão inquietas<br />
Na varanda correndo ladrilhada.<br />
<br />
Desponta a lua; o sabiá gorjeia;<br />
Enquanto às portas do curral ondeia<br />
A mugidora fila da boiada...]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[N. H.]]></title>
			<link>https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18810</link>
			<pubDate>Thu, 13 May 2010 09:33:24 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-archiv.com/forum/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18810</guid>
			<description><![CDATA[N. H. <br />
<br />
Tu não és de Romeu a doce amante,<br />
A triste Julieta, que suspira,<br />
Solto o cabelo aos ventos ondeante,<br />
Inquietas cordas de suspensa lira.<br />
<br />
Não és Ofélia, a virgem lacrimante,<br />
Que ao luar nos jardins vaga e delira,<br />
E é levada nas águas flutuante,<br />
Como em sonho de amor que cedo expira.<br />
<br />
És a estátua de mármore de rosa;<br />
Galatéia acordando voluptuosa<br />
Do grego artista ao fogo de mil beijos...<br />
<br />
És a lânguida Júlia que desmaia,<br />
És Haidéia nos côncavos da praia;<br />
Fosse eu o Dom João dos teus desejos!...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[N. H. <br />
<br />
Tu não és de Romeu a doce amante,<br />
A triste Julieta, que suspira,<br />
Solto o cabelo aos ventos ondeante,<br />
Inquietas cordas de suspensa lira.<br />
<br />
Não és Ofélia, a virgem lacrimante,<br />
Que ao luar nos jardins vaga e delira,<br />
E é levada nas águas flutuante,<br />
Como em sonho de amor que cedo expira.<br />
<br />
És a estátua de mármore de rosa;<br />
Galatéia acordando voluptuosa<br />
Do grego artista ao fogo de mil beijos...<br />
<br />
És a lânguida Júlia que desmaia,<br />
És Haidéia nos côncavos da praia;<br />
Fosse eu o Dom João dos teus desejos!...]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Jatir e Coema]]></title>
			<link>https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18809</link>
			<pubDate>Thu, 13 May 2010 09:33:03 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-archiv.com/forum/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18809</guid>
			<description><![CDATA[Jatir e Coema <br />
<br />
JATIR<br />
<br />
Desprezo-te, Coema, a velha usança<br />
Que entre nós se pratica... desprezaste:<br />
O bem-vindo estrangeiro abandonaste<br />
Que em mole rede o corpo seu descansa.<br />
<br />
Desprezo-te, Coema, bem criança<br />
Em meus braços de ferro te criaste<br />
E neles sempre firme abrigo achaste<br />
Mas pede a tua ação pronta vingança.<br />
<br />
COEMA<br />
<br />
Senhor das matas, meu Jatir valente,<br />
Tu desconheces este amor ardente,<br />
Choro embalde a teus pés mísera louca!<br />
<br />
Afoga-me em teus braços musculosos.<br />
Antes isso, que os beijos asquerosos<br />
Do bem-vindo estrangeiro em minha boca!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Jatir e Coema <br />
<br />
JATIR<br />
<br />
Desprezo-te, Coema, a velha usança<br />
Que entre nós se pratica... desprezaste:<br />
O bem-vindo estrangeiro abandonaste<br />
Que em mole rede o corpo seu descansa.<br />
<br />
Desprezo-te, Coema, bem criança<br />
Em meus braços de ferro te criaste<br />
E neles sempre firme abrigo achaste<br />
Mas pede a tua ação pronta vingança.<br />
<br />
COEMA<br />
<br />
Senhor das matas, meu Jatir valente,<br />
Tu desconheces este amor ardente,<br />
Choro embalde a teus pés mísera louca!<br />
<br />
Afoga-me em teus braços musculosos.<br />
Antes isso, que os beijos asquerosos<br />
Do bem-vindo estrangeiro em minha boca!]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Consolação]]></title>
			<link>https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18808</link>
			<pubDate>Thu, 13 May 2010 09:32:16 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-archiv.com/forum/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18808</guid>
			<description><![CDATA[Consolação <br />
<br />
Quando à noite no baile esplendoroso<br />
Vais na onda da valsa arrebatada<br />
Com a serena fronte reclinada<br />
Sobre o peito feliz do par ditoso...<br />
<br />
Mal sabes tu que existe um desditoso<br />
Faminto de te ver, oh minha amada!<br />
E que sente a sua alma angustiada<br />
Longe da luz do teu olhar piedoso.<br />
<br />
Mas quando a roxa aurora vem nascendo,<br />
E a cotovia acorda o laranjal,<br />
E os astros vão de todo esmorecendo;<br />
<br />
Eu cuido ver-te, oh lírio divinal,<br />
As minhas cartas ávida relendo<br />
Seminua no leito virginal.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Consolação <br />
<br />
Quando à noite no baile esplendoroso<br />
Vais na onda da valsa arrebatada<br />
Com a serena fronte reclinada<br />
Sobre o peito feliz do par ditoso...<br />
<br />
Mal sabes tu que existe um desditoso<br />
Faminto de te ver, oh minha amada!<br />
E que sente a sua alma angustiada<br />
Longe da luz do teu olhar piedoso.<br />
<br />
Mas quando a roxa aurora vem nascendo,<br />
E a cotovia acorda o laranjal,<br />
E os astros vão de todo esmorecendo;<br />
<br />
Eu cuido ver-te, oh lírio divinal,<br />
As minhas cartas ávida relendo<br />
Seminua no leito virginal.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Fervet Amor]]></title>
			<link>https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18807</link>
			<pubDate>Thu, 13 May 2010 09:31:58 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-archiv.com/forum/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18807</guid>
			<description><![CDATA[Fervet Amor<br />
<br />
Dá para a cerca a estreita e humilde cela<br />
Dessa que os seus abandonou, trocando<br />
O calor da família ameno e brando<br />
Pelo claustro que o sangue esfria e gela.<br />
<br />
Nos florões manuelinos da janela<br />
Papeiam aves o seu ninho armando,<br />
Vêem-se ao longe os trigos ondulando ..<br />
Maio sorri na Pradaria bela.<br />
<br />
Zumbe o inseto na flor do rosmaninho:<br />
Nas giestas pousa a abelha ébria de gozo:<br />
Zunem besouros e palpita o ninho.<br />
<br />
E a freira cisma e cora, ao ver, ansioso,<br />
Do seu catre virgíneo sobre o linho<br />
Um par de borboletas amoroso.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Fervet Amor<br />
<br />
Dá para a cerca a estreita e humilde cela<br />
Dessa que os seus abandonou, trocando<br />
O calor da família ameno e brando<br />
Pelo claustro que o sangue esfria e gela.<br />
<br />
Nos florões manuelinos da janela<br />
Papeiam aves o seu ninho armando,<br />
Vêem-se ao longe os trigos ondulando ..<br />
Maio sorri na Pradaria bela.<br />
<br />
Zumbe o inseto na flor do rosmaninho:<br />
Nas giestas pousa a abelha ébria de gozo:<br />
Zunem besouros e palpita o ninho.<br />
<br />
E a freira cisma e cora, ao ver, ansioso,<br />
Do seu catre virgíneo sobre o linho<br />
Um par de borboletas amoroso.]]></content:encoded>
		</item>
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