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		<title><![CDATA[Sonett-Forum - Raimundo Correia]]></title>
		<link>https://sonett-archiv.com/forum/</link>
		<description><![CDATA[Sonett-Forum - https://sonett-archiv.com/forum]]></description>
		<pubDate>Fri, 01 May 2026 00:03:25 +0000</pubDate>
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		<item>
			<title><![CDATA[Vésper]]></title>
			<link>https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18852</link>
			<pubDate>Thu, 13 May 2010 14:25:37 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-archiv.com/forum/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18852</guid>
			<description><![CDATA[Vésper <br />
<br />
Do seu fastígio azul, serena e fria,<br />
Desce a noite outonal, augusta e bela;<br />
Vésper fulgura além... Vésper! Só ela<br />
Todo o céu, doce e pálida, alumia.<br />
<br />
De um mosteiro na cúpula irradia<br />
Com frouxa luz... Em sua humilde cela,<br />
Contemplativa e lânguida à janela, <br />
Triste freira, fitando-a, se extasia...<br />
<br />
Vésper, envolta em deslumbrante alvura, <br />
Ó nuvens, que ides pelo espaço afora!<br />
A quem tão longo olhar volve da altura?<br />
<br />
Que olhar, irmão do seu, procura agora <br />
Na terra o astro do amor? O olhar procura <br />
Da solitária freira que o namora.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Vésper <br />
<br />
Do seu fastígio azul, serena e fria,<br />
Desce a noite outonal, augusta e bela;<br />
Vésper fulgura além... Vésper! Só ela<br />
Todo o céu, doce e pálida, alumia.<br />
<br />
De um mosteiro na cúpula irradia<br />
Com frouxa luz... Em sua humilde cela,<br />
Contemplativa e lânguida à janela, <br />
Triste freira, fitando-a, se extasia...<br />
<br />
Vésper, envolta em deslumbrante alvura, <br />
Ó nuvens, que ides pelo espaço afora!<br />
A quem tão longo olhar volve da altura?<br />
<br />
Que olhar, irmão do seu, procura agora <br />
Na terra o astro do amor? O olhar procura <br />
Da solitária freira que o namora.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Primeiras Vigílias]]></title>
			<link>https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18851</link>
			<pubDate>Thu, 13 May 2010 14:24:57 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-archiv.com/forum/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18851</guid>
			<description><![CDATA[Primeiras Vigílias <br />
<br />
Dos revoltos lençóis sobre o deserto<br />
Despejava-se, em ondas silenciosas,<br />
O luar dessas noites vaporosas,<br />
De seu lânguido cálix todo aberto.<br />
<br />
Rangia a cama, e deslizavam, perto<br />
Alvas, femíneas formas ondulosas;<br />
E eu a idear, nas ânsias amorosas,<br />
Uns ombros nus, um colo descoberto.<br />
<br />
E a gemer: - "Abeirai-vos de meu leito,<br />
Ó sensuais visões da adolescência,<br />
E inflamai-vos na pira em que me inflamo!<br />
<br />
Fervem paixões despertas no meu peito;<br />
Descai a flor virgínea da inocência,<br />
E irrompe o fruto dolorido... Eu amo!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Primeiras Vigílias <br />
<br />
Dos revoltos lençóis sobre o deserto<br />
Despejava-se, em ondas silenciosas,<br />
O luar dessas noites vaporosas,<br />
De seu lânguido cálix todo aberto.<br />
<br />
Rangia a cama, e deslizavam, perto<br />
Alvas, femíneas formas ondulosas;<br />
E eu a idear, nas ânsias amorosas,<br />
Uns ombros nus, um colo descoberto.<br />
<br />
E a gemer: - "Abeirai-vos de meu leito,<br />
Ó sensuais visões da adolescência,<br />
E inflamai-vos na pira em que me inflamo!<br />
<br />
Fervem paixões despertas no meu peito;<br />
Descai a flor virgínea da inocência,<br />
E irrompe o fruto dolorido... Eu amo!]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Ofélia]]></title>
			<link>https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18850</link>
			<pubDate>Thu, 13 May 2010 14:24:35 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-archiv.com/forum/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18850</guid>
			<description><![CDATA[Ofélia <br />
<br />
Num recesso da selva ínvia e sombria,<br />
Estrelada de flores, vicejante,<br />
Onde um rio entre seixos, espumante,<br />
Cursando o vale, túrgido, fluía;<br />
<br />
A coma esparsa, lívido o semblante,<br />
Desvairados os olhos, como fria<br />
Aparição dos túmulos, um dia<br />
Surgiu de Hamlet a lacrimosa amante;<br />
<br />
Símplices flores o seu porte lindo<br />
Ornavam... como um pranto, iam caindo<br />
As folhas de um salgueiro na corrente...<br />
<br />
E na corrente ela também tombando,<br />
Foi-se-lhe o corpo alvíssimo boiando<br />
Por sobre as águas indolentemente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Ofélia <br />
<br />
Num recesso da selva ínvia e sombria,<br />
Estrelada de flores, vicejante,<br />
Onde um rio entre seixos, espumante,<br />
Cursando o vale, túrgido, fluía;<br />
<br />
A coma esparsa, lívido o semblante,<br />
Desvairados os olhos, como fria<br />
Aparição dos túmulos, um dia<br />
Surgiu de Hamlet a lacrimosa amante;<br />
<br />
Símplices flores o seu porte lindo<br />
Ornavam... como um pranto, iam caindo<br />
As folhas de um salgueiro na corrente...<br />
<br />
E na corrente ela também tombando,<br />
Foi-se-lhe o corpo alvíssimo boiando<br />
Por sobre as águas indolentemente.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Nua e Crua]]></title>
			<link>https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18849</link>
			<pubDate>Thu, 13 May 2010 14:24:05 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-archiv.com/forum/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18849</guid>
			<description><![CDATA[Nua e Crua <br />
<br />
Doire a Poesia a escura realidade<br />
E a mim a encubra! Um visionário ardente<br />
Quis vê-la nua um dia; e, ousadamente,<br />
Do áureo manto despoja a divindade;<br />
<br />
O estema da perpétua mocidade<br />
Tira-lhe e as galas; e ei-la, de repente,<br />
Inteiramente nua e inteiramente<br />
Crua, como a Verdade! E era a Verdade!<br />
<br />
Fita-a em seguida, e atônito recua...<br />
- Ó Musa! exclama então, magoado e triste,<br />
Traja de novo a louçainha tua!<br />
<br />
Veste outra vez as roupas que despiste!<br />
Que olhar se apraz em ver-te assim tão nua?...<br />
À nudez da Verdade quem resiste?!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Nua e Crua <br />
<br />
Doire a Poesia a escura realidade<br />
E a mim a encubra! Um visionário ardente<br />
Quis vê-la nua um dia; e, ousadamente,<br />
Do áureo manto despoja a divindade;<br />
<br />
O estema da perpétua mocidade<br />
Tira-lhe e as galas; e ei-la, de repente,<br />
Inteiramente nua e inteiramente<br />
Crua, como a Verdade! E era a Verdade!<br />
<br />
Fita-a em seguida, e atônito recua...<br />
- Ó Musa! exclama então, magoado e triste,<br />
Traja de novo a louçainha tua!<br />
<br />
Veste outra vez as roupas que despiste!<br />
Que olhar se apraz em ver-te assim tão nua?...<br />
À nudez da Verdade quem resiste?!]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Marília]]></title>
			<link>https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18848</link>
			<pubDate>Thu, 13 May 2010 14:23:39 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-archiv.com/forum/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18848</guid>
			<description><![CDATA[Marília <br />
<br />
Ó Marília! Ó Dirceu! Eram dois ninhos<br />
Os vossos corações, ninhos de flores;<br />
Mas, entre os quais, sentíeis os rigores<br />
Lacerantes de incógnitos espinhos;<br />
<br />
Tremiam, como em flácidos arminhos,<br />
Promiscuamente, neles os amores,<br />
As saudades, os cânticos, as dores,<br />
Como uma multidão de passarinhos...<br />
<br />
O sulco profundíssimo que traça<br />
Nos corações amantes a desgraça,<br />
Ambos nos corações traçados vistes,<br />
<br />
Quando os vossos olhares, no momento,<br />
Cruzaram-se, do negro afastamento,<br />
Marejados de lágrimas e tristes...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Marília <br />
<br />
Ó Marília! Ó Dirceu! Eram dois ninhos<br />
Os vossos corações, ninhos de flores;<br />
Mas, entre os quais, sentíeis os rigores<br />
Lacerantes de incógnitos espinhos;<br />
<br />
Tremiam, como em flácidos arminhos,<br />
Promiscuamente, neles os amores,<br />
As saudades, os cânticos, as dores,<br />
Como uma multidão de passarinhos...<br />
<br />
O sulco profundíssimo que traça<br />
Nos corações amantes a desgraça,<br />
Ambos nos corações traçados vistes,<br />
<br />
Quando os vossos olhares, no momento,<br />
Cruzaram-se, do negro afastamento,<br />
Marejados de lágrimas e tristes...]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Luiz Gama]]></title>
			<link>https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18847</link>
			<pubDate>Thu, 13 May 2010 14:23:14 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-archiv.com/forum/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18847</guid>
			<description><![CDATA[Luiz Gama <br />
<br />
A Raul Pompéia<br />
<br />
Tantos triunfos te contando os dias,<br />
Iam-te os dias descontando e os anos,<br />
Quando bramavas, quando combatias<br />
Contra os bárbaros, contra os desumanos;<br />
<br />
Quando a alma brava e procelosa abrias<br />
Invergável ao pulso dos tiranos,<br />
E ígnea, como os desertos africanos<br />
Dilacerados pelas ventanias...<br />
<br />
Contra o inimigo atroz rompeste em guerra,<br />
Grilhões a rebentar por toda a parte,<br />
Por toda a parte a escancarar masmorras.<br />
<br />
Morreste!... Embalde, Escravidão! Por terra<br />
Rolou... Morreu por não poder matar-te!<br />
Também não tarda muito que tu morras!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Luiz Gama <br />
<br />
A Raul Pompéia<br />
<br />
Tantos triunfos te contando os dias,<br />
Iam-te os dias descontando e os anos,<br />
Quando bramavas, quando combatias<br />
Contra os bárbaros, contra os desumanos;<br />
<br />
Quando a alma brava e procelosa abrias<br />
Invergável ao pulso dos tiranos,<br />
E ígnea, como os desertos africanos<br />
Dilacerados pelas ventanias...<br />
<br />
Contra o inimigo atroz rompeste em guerra,<br />
Grilhões a rebentar por toda a parte,<br />
Por toda a parte a escancarar masmorras.<br />
<br />
Morreste!... Embalde, Escravidão! Por terra<br />
Rolou... Morreu por não poder matar-te!<br />
Também não tarda muito que tu morras!]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Julieta]]></title>
			<link>https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18846</link>
			<pubDate>Thu, 13 May 2010 14:22:19 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-archiv.com/forum/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18846</guid>
			<description><![CDATA[Julieta <br />
<br />
A loura Julieta enamorada,<br />
Triste, lânguida, pálida, abatida, <br />
Aparece radiante na sacada <br />
Dos raios brancos do luar ferida.<br />
<br />
Engolfa o olhar na sombra condensada, <br />
Perscruta, busca em torno... e na avenida<br />
Surge Romeu; da valerosa espada<br />
Esplende a clara lâmina polida...<br />
<br />
Sente-se o arfar de sôfregos desejos, <br />
Estoura no ar um turbilhão de beijos,<br />
Mas o dia reponta!... Ó indiscreta<br />
<br />
Da cotovia matinal garganta!<br />
Ó perigo do amor, que o amor quebranta!<br />
Ó noites de Verona! Ó Julieta!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Julieta <br />
<br />
A loura Julieta enamorada,<br />
Triste, lânguida, pálida, abatida, <br />
Aparece radiante na sacada <br />
Dos raios brancos do luar ferida.<br />
<br />
Engolfa o olhar na sombra condensada, <br />
Perscruta, busca em torno... e na avenida<br />
Surge Romeu; da valerosa espada<br />
Esplende a clara lâmina polida...<br />
<br />
Sente-se o arfar de sôfregos desejos, <br />
Estoura no ar um turbilhão de beijos,<br />
Mas o dia reponta!... Ó indiscreta<br />
<br />
Da cotovia matinal garganta!<br />
Ó perigo do amor, que o amor quebranta!<br />
Ó noites de Verona! Ó Julieta!]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Fetichismo]]></title>
			<link>https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18845</link>
			<pubDate>Thu, 13 May 2010 14:21:42 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-archiv.com/forum/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18845</guid>
			<description><![CDATA[Fetichismo <br />
<br />
Homem, da vida as sombras inclementes<br />
Interrogas em vão: - Que céus habita<br />
Deus? Onde essa região de luz bendita,<br />
Paraíso dos justos e dos crentes?...<br />
<br />
Em vão tateiam tuas mãos trementes<br />
As entranhas da noite erma, infinita,<br />
Onde a dúvida atroz blasfema e grita,<br />
E onde há só queixas e ranger de dentes...<br />
<br />
A essa abóbada escura, em vão elevas<br />
Os braços para o Deus sonhado, e lutas<br />
Por abarcá-lo; é tudo em torno trevas...<br />
<br />
Somente o vácuo estreitas em teus braços;<br />
E apenas, pávido, um ruído escutas,<br />
Que é o ruído dos teus próprios passos!...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Fetichismo <br />
<br />
Homem, da vida as sombras inclementes<br />
Interrogas em vão: - Que céus habita<br />
Deus? Onde essa região de luz bendita,<br />
Paraíso dos justos e dos crentes?...<br />
<br />
Em vão tateiam tuas mãos trementes<br />
As entranhas da noite erma, infinita,<br />
Onde a dúvida atroz blasfema e grita,<br />
E onde há só queixas e ranger de dentes...<br />
<br />
A essa abóbada escura, em vão elevas<br />
Os braços para o Deus sonhado, e lutas<br />
Por abarcá-lo; é tudo em torno trevas...<br />
<br />
Somente o vácuo estreitas em teus braços;<br />
E apenas, pávido, um ruído escutas,<br />
Que é o ruído dos teus próprios passos!...]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Conchita]]></title>
			<link>https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18844</link>
			<pubDate>Thu, 13 May 2010 14:21:19 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-archiv.com/forum/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18844</guid>
			<description><![CDATA[Conchita <br />
<br />
Adeus aos filtros da mulher bonita;<br />
A esse rosto espanhol, pulcro e moreno;<br />
Ao pé que no bolero... ao pé pequeno;<br />
Pé que, alígero e célere, saltita...<br />
<br />
Lira do amor, que o amor não mais excita,<br />
A um silêncio de morte eu te condeno;<br />
Despede-te; e um adeus, no último treno,<br />
Soluça às graças da gentil Conchita:<br />
<br />
A esses, que em ondas se levantam, seios<br />
Do mais cheiroso jambo; a esses quebrados<br />
Olhos meridionais de ardência cheios;<br />
<br />
A esses lábios, enfim, de nácar vivo,<br />
Virgens dos lábios de outrem, mas corados<br />
Pelos beijos de um sol quente e lascivo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Conchita <br />
<br />
Adeus aos filtros da mulher bonita;<br />
A esse rosto espanhol, pulcro e moreno;<br />
Ao pé que no bolero... ao pé pequeno;<br />
Pé que, alígero e célere, saltita...<br />
<br />
Lira do amor, que o amor não mais excita,<br />
A um silêncio de morte eu te condeno;<br />
Despede-te; e um adeus, no último treno,<br />
Soluça às graças da gentil Conchita:<br />
<br />
A esses, que em ondas se levantam, seios<br />
Do mais cheiroso jambo; a esses quebrados<br />
Olhos meridionais de ardência cheios;<br />
<br />
A esses lábios, enfim, de nácar vivo,<br />
Virgens dos lábios de outrem, mas corados<br />
Pelos beijos de um sol quente e lascivo.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Chuva e Sol]]></title>
			<link>https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18843</link>
			<pubDate>Thu, 13 May 2010 14:20:55 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-archiv.com/forum/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18843</guid>
			<description><![CDATA[Chuva e Sol <br />
<br />
Agrada à vista e à fantasia agrada<br />
Ver-te, através do prisma de diamantes<br />
Da chuva, assim ferida e atravessada <br />
Do sol pelos venábulos radiantes...<br />
<br />
Vais e molhas-te, embora os pés levantes:<br />
- Par de pombos, que a ponta delicada <br />
Dos bicos metem nágua e, doidejantes,<br />
Bebem nos regos cheios da calçada...<br />
<br />
Vais, e, apesar do guarda-chuva aberto,<br />
Borrifando-te colmam-te as goteiras<br />
De pérolas o manto mal coberto;<br />
<br />
E estrelas mil cravejam-te, fagueiras,<br />
Estrelas falsas, mas que assim de perto, <br />
Rutilam tanto, como as verdadeiras...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Chuva e Sol <br />
<br />
Agrada à vista e à fantasia agrada<br />
Ver-te, através do prisma de diamantes<br />
Da chuva, assim ferida e atravessada <br />
Do sol pelos venábulos radiantes...<br />
<br />
Vais e molhas-te, embora os pés levantes:<br />
- Par de pombos, que a ponta delicada <br />
Dos bicos metem nágua e, doidejantes,<br />
Bebem nos regos cheios da calçada...<br />
<br />
Vais, e, apesar do guarda-chuva aberto,<br />
Borrifando-te colmam-te as goteiras<br />
De pérolas o manto mal coberto;<br />
<br />
E estrelas mil cravejam-te, fagueiras,<br />
Estrelas falsas, mas que assim de perto, <br />
Rutilam tanto, como as verdadeiras...]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Beijos do Céu]]></title>
			<link>https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18842</link>
			<pubDate>Thu, 13 May 2010 14:20:32 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-archiv.com/forum/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18842</guid>
			<description><![CDATA[Beijos do Céu <br />
<br />
Sonhei-te assim, ó minha amante, um dia:<br />
- Vi-te no céu; e, anamoradamente,<br />
De beijos, a falange resplendente<br />
Dos serafins, teu corpo inteiro ungia...<br />
<br />
Santos e anjos beijavam-te... Eu bem via<br />
Beijavam todos o teu lábio ardente;<br />
E, beijando-te, o próprio Onipotente,<br />
O próprio Deus nos braços te cingia!<br />
<br />
Nisto, o ciúme - fera que eu não domo -<br />
Despertou-me do sonho, repentino<br />
Vi-te a dormir tão plácida a meu lado...<br />
<br />
E beijei-te também, beijei-te... e, ai! como<br />
Achei doce o teu lábio purpurino.<br />
Tantas vezes assim no céu beijado!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Beijos do Céu <br />
<br />
Sonhei-te assim, ó minha amante, um dia:<br />
- Vi-te no céu; e, anamoradamente,<br />
De beijos, a falange resplendente<br />
Dos serafins, teu corpo inteiro ungia...<br />
<br />
Santos e anjos beijavam-te... Eu bem via<br />
Beijavam todos o teu lábio ardente;<br />
E, beijando-te, o próprio Onipotente,<br />
O próprio Deus nos braços te cingia!<br />
<br />
Nisto, o ciúme - fera que eu não domo -<br />
Despertou-me do sonho, repentino<br />
Vi-te a dormir tão plácida a meu lado...<br />
<br />
E beijei-te também, beijei-te... e, ai! como<br />
Achei doce o teu lábio purpurino.<br />
Tantas vezes assim no céu beijado!]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Anoitecer]]></title>
			<link>https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18841</link>
			<pubDate>Thu, 13 May 2010 14:20:07 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-archiv.com/forum/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18841</guid>
			<description><![CDATA[Anoitecer<br />
<br />
Esbraseia o Ocidente na Agonia <br />
O sol... Aves, em bandos destacados, <br />
Por céus de ouro e de púrpuras raiados, <br />
Fogem... Fecha-se a pálpebra do dia... <br />
<br />
Delineiam-se, além, da serrania <br />
Os vértices de chama aureolados, <br />
E em tudo, em torno, esbatem derramados <br />
Uns tons suaves de melancolia... <br />
<br />
Um mundo de vapores no ar flutua... <br />
Como uma informe nódoa, avulta e cresce <br />
A sombra, á proporção que a luz recua... <br />
<br />
A natureza apática esmaece... <br />
Pouco a pouco, entre as árvores, a lua <br />
Surge trêmula, trêmula... Anoitece.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Anoitecer<br />
<br />
Esbraseia o Ocidente na Agonia <br />
O sol... Aves, em bandos destacados, <br />
Por céus de ouro e de púrpuras raiados, <br />
Fogem... Fecha-se a pálpebra do dia... <br />
<br />
Delineiam-se, além, da serrania <br />
Os vértices de chama aureolados, <br />
E em tudo, em torno, esbatem derramados <br />
Uns tons suaves de melancolia... <br />
<br />
Um mundo de vapores no ar flutua... <br />
Como uma informe nódoa, avulta e cresce <br />
A sombra, á proporção que a luz recua... <br />
<br />
A natureza apática esmaece... <br />
Pouco a pouco, entre as árvores, a lua <br />
Surge trêmula, trêmula... Anoitece.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Desdéns]]></title>
			<link>https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18840</link>
			<pubDate>Thu, 13 May 2010 14:19:43 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-archiv.com/forum/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18840</guid>
			<description><![CDATA[Desdéns<br />
<br />
Realçam no marfim da ventarola<br />
As tuas unhas de coral felinas<br />
Garras com que, a sorrir, tu me assassinas,<br />
Bela e feroz... O sândalo se evolua;<br />
<br />
O ar cheiroso em redor se desenrola;<br />
Pulsam os seios, arfam as narinas...<br />
Sobre o espaldar de seda o torso inclinas<br />
Numa indolência mórbida, espanhola...<br />
<br />
Como eu sou infeliz! Como é sangrenta<br />
Essa mão impiedosa que me arranca<br />
A vida aos poucos, nesta morte lenta!<br />
<br />
Essa mão de fidalga, fina e branca;<br />
Essa mão, que me atrai e me afugenta,<br />
Que eu afago, que eu beijo, e que me espanca!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Desdéns<br />
<br />
Realçam no marfim da ventarola<br />
As tuas unhas de coral felinas<br />
Garras com que, a sorrir, tu me assassinas,<br />
Bela e feroz... O sândalo se evolua;<br />
<br />
O ar cheiroso em redor se desenrola;<br />
Pulsam os seios, arfam as narinas...<br />
Sobre o espaldar de seda o torso inclinas<br />
Numa indolência mórbida, espanhola...<br />
<br />
Como eu sou infeliz! Como é sangrenta<br />
Essa mão impiedosa que me arranca<br />
A vida aos poucos, nesta morte lenta!<br />
<br />
Essa mão de fidalga, fina e branca;<br />
Essa mão, que me atrai e me afugenta,<br />
Que eu afago, que eu beijo, e que me espanca!]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Amor e Vida]]></title>
			<link>https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18839</link>
			<pubDate>Thu, 13 May 2010 14:19:19 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-archiv.com/forum/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18839</guid>
			<description><![CDATA[Amor e Vida<br />
<br />
Esconde-me a alma, no íntimo, oprimida,<br />
Este amor infeliz, como se fora<br />
Um crime aos olhos dessa, que ela adora,<br />
Dessa, que crendo-o, crera-se ofendida.<br />
<br />
A crua e rija lâmina homicida<br />
Do seu desdém vara-me o peito; embora,<br />
Que o amor que cresce nele, e nele mora,<br />
Só findará quando findar-me a vida!<br />
<br />
Ó meu amor! como num mar profundo,<br />
Achaste em mim teu álgido, teu fundo,<br />
Teu derradeiro, teu feral abrigo!<br />
<br />
E qual do rei de Tule a taça de ouro,<br />
Ó meu sacro, ó meu único tesouro!<br />
Ó meu amor! tu morrerás comigo!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Amor e Vida<br />
<br />
Esconde-me a alma, no íntimo, oprimida,<br />
Este amor infeliz, como se fora<br />
Um crime aos olhos dessa, que ela adora,<br />
Dessa, que crendo-o, crera-se ofendida.<br />
<br />
A crua e rija lâmina homicida<br />
Do seu desdém vara-me o peito; embora,<br />
Que o amor que cresce nele, e nele mora,<br />
Só findará quando findar-me a vida!<br />
<br />
Ó meu amor! como num mar profundo,<br />
Achaste em mim teu álgido, teu fundo,<br />
Teu derradeiro, teu feral abrigo!<br />
<br />
E qual do rei de Tule a taça de ouro,<br />
Ó meu sacro, ó meu único tesouro!<br />
Ó meu amor! tu morrerás comigo!]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Plena nudez]]></title>
			<link>https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18838</link>
			<pubDate>Thu, 13 May 2010 14:18:52 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-archiv.com/forum/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-archiv.com/forum/showthread.php?tid=18838</guid>
			<description><![CDATA[Plena nudez <br />
<br />
Eu amo os gregos tipos de escultura:<br />
Pagãs nuas no mármore entalhadas;<br />
Não essas produções que a estufa escura<br />
Das modas cria, tortas e enfezadas.<br />
<br />
Quero um pleno esplendor, viço e frescura<br />
Os corpos nus; as linhas onduladas<br />
Livres: de carne exuberante e pura<br />
Todas as saliências destacadas...<br />
<br />
Não quero, a Vênus opulenta e bela<br />
De luxuriantes formas, entrevê-la<br />
De transparente túnica através:<br />
<br />
Quero vê-la, sem pejo, sem receios,<br />
Os braços nus, o dorso nu, os seios<br />
Nus... toda nua, da cabeça aos pés!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Plena nudez <br />
<br />
Eu amo os gregos tipos de escultura:<br />
Pagãs nuas no mármore entalhadas;<br />
Não essas produções que a estufa escura<br />
Das modas cria, tortas e enfezadas.<br />
<br />
Quero um pleno esplendor, viço e frescura<br />
Os corpos nus; as linhas onduladas<br />
Livres: de carne exuberante e pura<br />
Todas as saliências destacadas...<br />
<br />
Não quero, a Vênus opulenta e bela<br />
De luxuriantes formas, entrevê-la<br />
De transparente túnica através:<br />
<br />
Quero vê-la, sem pejo, sem receios,<br />
Os braços nus, o dorso nu, os seios<br />
Nus... toda nua, da cabeça aos pés!]]></content:encoded>
		</item>
	</channel>
</rss>