04.04.2026, 09:18
FRANCISCO DE SÁ DE MIRANDA
c. 1490-1558 Portugal
O sol é grande, caem com a calma as aves
do tempo em tal sazão que soe de ser fria:
esta agua que do alto cai acordar-me-ia
do sono nam, mas de cuidados graves.
Ó cousas todas vãs, todas mudáveis!
Qual é o coraçam que em vos confia?
Passando um dia vai, passa outro dia,
incertos todos mais que ao vento as naves!
Eu vi ja por aqui sombras e flores,
vi aguas e vi fontes, vi verdura,
as aves vi cantar todas d’ amores.
Mudo e seco é ja tudo e de mistura;
tambem fazendo-me eu fui de outras cores;
e tudo o mais renova, isto é sem cura.
c. 1490-1558 Portugal
O sol é grande, caem com a calma as aves
do tempo em tal sazão que soe de ser fria:
esta agua que do alto cai acordar-me-ia
do sono nam, mas de cuidados graves.
Ó cousas todas vãs, todas mudáveis!
Qual é o coraçam que em vos confia?
Passando um dia vai, passa outro dia,
incertos todos mais que ao vento as naves!
Eu vi ja por aqui sombras e flores,
vi aguas e vi fontes, vi verdura,
as aves vi cantar todas d’ amores.
Mudo e seco é ja tudo e de mistura;
tambem fazendo-me eu fui de outras cores;
e tudo o mais renova, isto é sem cura.
Der Anspruch ihn auszudrücken, schärft auch den Eindruck.

